Ao entrar num salão em que residiam mais de 400 pessoas pensei que antigamente, tais degraus descrescentes me proporcionavam momentos em que eu saía daquele salão embebido nas minhas reflexões junto com, no máximo, 15 seres orgânicos para um bar e falar sobre o que eu pensei de Alphaville, mas hoje os degraus desciam para uma ladeira em que eu achava que não teriam fim. As 400 e tais pessoas pareciam um interminável corredor polonês eu eu me sentindo sufocado. Separei rapidamente a minha bolsa de kits emergenciais e peguei meus brinquedois de sobrevivência. Ao começar os ritos, eu simplesmente não ouvia nada. Um silêncio me nublava a visão e eu só conseguia berrar pra mim mesmo: o que eu estava fazendo ali? Mas antes mesmo que eu pudesse correr, o nome que meus projenitores me registraram foi pronunciado, sendo assim, logo vi que carregar minha caixinha foi uma solução bem esperta. O meu sorriso amarelo foi bem usado pra mostrar que a situação que eu passava estava me agradando por eu estar sendo colado a um pedaço de papel, mas para as pessoas não desconfiarem, coloquei junto com os 64 dentes amarelados pela nicotina e outras inas uma cara vendida, que roubei um dia de um santo num relicário qualquer para mostrar para as 400 pessoas que eu estava realizado, como uma criatura que estava traçando sua escadinha para o sucesso que todos estavam desejando. Essa cara cínica que eu faço para mostrar para as pessoas: Viu? Agora sou uma realização que a sociedade tanto me cobrou e o próximo passo serão os filhos.
Após os ritos e uma marca na testa que dizia pra todos: Você não é mais um entre a multidão porque jurou por este estigma Guardei minhas bugingangas no meu estômago pra vomitá-los aqui porque usar tais recursos não são para um maldito, que mesmo com uma queimadura na testa que será exposta numa moldura de quarto, um maldito será sempre um maldito.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
terça-feira, 1 de maio de 2007
In the front seat
Ao entrar no carro em mais uma jornada burguesa que nos levaria ao templo, vi como os pilares que me sustentaram no momento que nasci estão ruindo. Uma fissura que não era possível concluir nada num primeiro momento se transformou numa rachadura que expõem uma estrutura oca. Um silêncio é o maior ruido que essas estruturas fazem pisar nelas, mas que barulho? Que som? Penso que é o som que fica entre o limite da ultima fenda que ao se expandir fará tudo cair de uma vez, mas quando o silêncio me envolveu num frenesi o rádio foi ligado, pois como eu poderia ousar questionar estruturas que se mantém sólidas durante gerações que virão? A doce melodia em que fui tragado era em direção ao meu infinito particular e tudo ao meu redor, mas naqueles minutos eu me perdi no meu próprio universo caindo, caindo, caindo até que acordei em cima dos pilares. Cheguei a duvidar que eles aguentariam mais uma queda minha, mas eatão fortes. Um dia caírão e eu estarei indo pro meu infinito particular sem mapas ou bússula para me perder de vez. Dos pilares sobraram ruínas onde eu possa achar um que está em construção originado pelo outro que se apoiou neles tmb, mas no lugar do meu estará só um buraco fundo, o meu infinito particular...
segunda-feira, 16 de abril de 2007
...
Ganhar um presente é sempre algo que me agrada e fiquei muito feliz em receber tal prenda na semana que passou. Ganhei um lindo saco cheio de pedras que foi cuidadosamente amarrado ente minhas pernas e deixados sobre o chão. Passei o fim de semana com as rochas fazendo parte de mim. Andei por aí arrastando o meu presente e tive a impressão que tudo estava mais devagar(é claro) fazendo com que as pessoas andassem numa velocidade frenética. Os seus vultos andavam como fantasmas de maneira que eu não conseguia tocar nelas. Mas acho que a alma (se é que existe) que vagava era eu mesmo. Consegui ter alguma coragem em algum momento que eu não me recordo e tirei algumas pedras. Me despedi delas dando alguns cuidadosos beijos, como de uma mãe na testa de sua cria, pois afinal elas eram minhas crias. Estavam juntas ao meu corpo, mas assim como uma mãe tem que se despedir de um filho eu tive que me despedir delas, mas como a separação nunca é completa elas continuam de alguma forma comigo e deixei as outras para que eu não esquecesse completamente do que eu carrego. Um dia deixarei todas livres de mim, mas uma eu colocarei junto do meu peito para que eu sinta seus batimentos coordenados com o meu coração.
terça-feira, 10 de abril de 2007
No Seu Bolso
O que seria morar no seu bolso? Propostas, propostas e propostas. Esquivas, esquivas e esquivas até que num momento pensei sobre e um estalo na minha cabeça ocorreu como se alguém apagasse as luzes. Para começar eu levaria a minha miniatura do cebolinha, já que acho que ele seria um grande "camalada". O mundo frio se tornaria quente, o Sol que me machuca não teria o mesmo efeito e as palavras mais amáveis das pessoas que me machucam passariam despercebidas, pois eu estaria sempre ouvindo música (B&S o tempo todo) pra relaxar e passar o tempo. Nunca seria tedioso, mas as minhas músicas dariam um colorido enquanto vc anda graciosaente pelas ruas e eu na pontinha dos meus pés olhando a cidade que se tornaria gigante, mas insignificante diante de um lar tão aconchegante.
domingo, 25 de março de 2007
I forgot to take my meds
Uma música que me faz respirar é como olhar de frente pra uma arma apontada, pois minha respiração varia de um suspiro aliviado até uma respiração contínua e mecânica que não para me fazendo sentir muito mal. Passei certos momentos do show cravado de punhais nas costas e suportanto as dores calado, pq eu acho que demonstrar dor é um grave sinal de fraqueza. Troquei qualquer emoção pra manifestar clichês indie abachando minha cabeça e cruzando os braços escrevendo uma placa que dizia: Eu me basto...foda-se. Acho que foi minha manifestação mais próxima do público que tava lá. Preciso de momentos egoístas pra pensar pq apesar de uma certa quantidade de álcool no meu sangue, prefiro me bastar do que tirar os punhais e arremessar em pessoas que não tem nada a ver. Eles são meus e já fazem parte da minha anatomia. Andam comigo dentro do meu relicário, pois ainda não consegui diferenciar o que eu considero sagrado e o que me machuca. Acho que no final é tudo a mesma merda...
terça-feira, 20 de março de 2007
Chá com Mary Jo
Deixei claro no meu perfil que curtia filmes que me deixassem desconfortável. Hoje foi um dia em que isso ocorreu e minha cabeça se transformou em um turbilhão de pensamentos jogados como se estivessem saindo de uma metralhadora em minha direção. Nos meus devaneios fiquei pensando até que ponto eu e as pessoas saem das suas realidades e se fantasiam (elas mesmas e a relação com o mundo). Não to falando de forma alguma aqui sobre falsidade, mas até que ponto saímos um pouco do mundo, ou muito? Penso que talvez seja uma forma de escapar, o que eu faço com frequência em atitudes despercebidas. Vai desde fumar um cigarro depois do almoço, ler um livro qualquer até passar a noite tomando um porre de Belle & Sebastian. Fiquei pensando como a vida pode ser cruel e dura, daí criamos formas de escapar disso. Pode ser uma religião, um porre ( o que eu posso me incluir), ou fuder a noite toda e não pensar em mais nada. Depois de pensar acabei não chegando numa resposta e acho que nem vou conseguir. Enquanto isso vou continuar abrindo o peito pra tomar mais tiros dessas metralhadoras. TAlve já tenha virado um vício me incomodae, mas será isso também uma fuga? Ou um clichê indie barato?
domingo, 18 de março de 2007
O Primeiro Aroma
Resolvi fazer um blog depois de muito tempo em que acabei tendo preguiça de escrever no meu. Com a minha rotina de madrugador, o café, algumas leituras, alguns programas de madrugada (que me fazem sentir uma profunda vergonha alheia), cigarros e trip hop são o que acompanham minhas noites em que as minhas idéias, tristezas e alegrias podem sair um pouco pro mundo, pois deixar sentimentos e reflexões presos o dia inteiro dá um certo desgaste. Preciso da madrugada pra deixa-los passear por aí até que retornem quando eu acordo e os mantenho acorrentados e trancados na rotina.
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